A programação cultural d’O Maior São João do Mundo segue valorizando as manifestações artísticas e as tradições populares que fazem parte da identidade nordestina. Neste domingo (07), a fachada da Catedral no Parque do Povo recebeu a concentração para o “Cortejo Pífano e Percussão: Arte, Educação e Cultura”, iniciativa promovida pela Secretaria de Educação do município. A atividade reuniu crianças, jovens, adultos e idosos em um momento de celebração da música, da formação artística e do patrimônio cultural popular.
À frente do projeto está o professor Silvio Silva, que o acompanha desde sua criação, em 2022, no Centro Cultural e na Estação Cidadania. Segundo ele, a proposta vai muito além do ensino musical, utilizando instrumentos tradicionais como pífano, zabumba, triângulo, agogô e tarol para aproximar crianças, jovens, adultos e idosos da cultura popular nordestina. Mais do que formar músicos, o objetivo é formar pessoas sensíveis à arte e à cultura. “A gente forma pessoas sensíveis à música. Eles abraçam isso, levam para as suas famílias, e a cultura salva”, destaca. Atualmente, o projeto reúne participantes de diferentes faixas etárias, promovendo a troca de experiências entre gerações, onde crianças aprendem com os mais velhos e idosos também encontram novas formas de aprendizado e convivência.
Para o educador, participar da programação d’O Maior São João do Mundo representa a oportunidade de compartilhar esse trabalho com um público ainda maior. Durante o cortejo, os alunos percorreram espaços entre o Parque do Povo e o Parque Evaldo Cruz, levando música e tradição para moradores e turistas. “É emocionante ver as pessoas gostando da música e admirando o trabalho dos alunos. Quando a gente faz o que ama e ainda pode mostrar isso para o mundo, não tem preço”, afirma. A apresentação reforçou o papel da educação como instrumento de valorização da cultura nordestina e de preservação de tradições que atravessam gerações.
A secretária de Cultura, Anny Karenine, destacou que a atividade integra uma proposta maior de valorização dos projetos desenvolvidos ao longo de todo o ano pela Escola de Formação Cultural Lourdes Ramalho. “Hoje nós fizemos uma aula aberta com o professor Silvio Silva e duas de suas turmas, uma de percussão e outra de pífano. O professor é multi-instrumentista e trabalha durante o ano inteiro com cultura na nossa escola de formação”, explicou. Segundo ela, as turmas são formadas por alunos que encontram na música uma forma de lazer, aprendizado e preservação das tradições. “A ideia da nossa programação é trazer todos os nossos equipamentos para se integrarem e somarem no Maior São João do Mundo, como forma de aprendizado e amostra da cultura que a gente faz”, completou, ressaltando a importância de aproximar a produção cultural dos espaços que compõem a maior festa popular da cidade.
Entre os participantes do cortejo, os alunos da melhor idade deram um significado ainda mais especial à apresentação. Há seis meses aprendendo a tocar triângulo, Lenivalda descreve a experiência como uma oportunidade de crescimento e realização pessoal. “É muito gratificante. O professor é excelente e dá todos os passos possíveis para a gente aprender”, afirma. Emocionada após percorrer o trajeto da apresentação, ela destaca a alegria de integrar a programação d’O Maior São João do Mundo. “O coração está acelerado, mas de alegria. Na nossa idade, ter uma oportunidade como esta é gratificante. A palavra é gratidão”, resume. Integrante das atividades do Centro Cultural, Lenivalda vê na música uma forma de aprendizado, convivência e valorização da cultura local.
O entusiasmo é compartilhado por Gilvandro, de 73 anos, que recentemente ingressou no projeto e já participou do cortejo tocando caixa. Para ele, iniciativas como essa mostram que nunca é tarde para aprender algo novo e viver novas experiências. “Quero participar de tudo. Viver é isso. Problema, todo mundo tem, mas procurar algo para fazer, aprender e se envolver é excelente”, destaca. Defensor da cultura nordestina, ele também reforça a importância de valorizar as tradições locais. “O nosso Nordeste tem coisas boas, a nossa Paraíba tem coisas boas. As pessoas precisam conhecer e valorizar o que nós temos aqui”, afirma. Os relatos dos dois participantes mostram como a música e a cultura popular se transformam em ferramentas de inclusão, aprendizado e pertencimento, aproximando diferentes gerações em torno das tradições nordestinas.
Entre crianças, jovens, adultos e idosos, o cortejo também contou com a participação de Anthony, de 12 anos, um dos alunos mais jovens do projeto. Tocando pífano há cerca de três anos, ele representa uma tradição familiar que atravessa gerações. O instrumento, que aprendeu com o pai, já fazia parte da história de seu avô e segue sendo preservado dentro de casa por meio da música. Para o jovem músico, participar da programação d’O Maior São João do Mundo é motivo de orgulho e felicidade. “É uma honra tocar aqui com meu pai e os alunos dele do Centro Cultural e aprender esse instrumento que atravessou gerações”, conta.
Ao integrar o cortejo cultural, Anthony carrega não apenas um instrumento, mas também a continuidade de um legado familiar e cultural. Mesmo com pouca idade, ele demonstra compreender a importância desse papel. “Eu me sinto muito feliz em honrar meu pai, porque ele precisa da minha ajuda”, afirma. Seu relato resume um dos principais objetivos da iniciativa: garantir que tradições como a música de pífano continuem sendo transmitidas entre gerações, mantendo viva uma das expressões mais autênticas da cultura nordestina.
Ministério da Cultura, Brahma, Betano e Petrobras apresentam “O Maior São João do Mundo”.
Patrocínio: BR Mania, Porto, Bradesco, Natura, Sempre Livre, Ballantine’s, Ifood, Proxxima, Redepharma, Salon Line, Primor, Seara, Alpargatas, Matuta, Azul, Indaiá, Brasil Gás, Quero, Assaí, Sazón, Carefree, O.B., BEATS, Pepsi e Ministério do Turismo e Sesc/Senac.
Realização: Arte Produções, Prefeitura Municipal de Campina Grande e Governo Federal
Texto e fotos: Bruna Messias/Arte Produções


